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Soberania de dados em IA: o que segurança de nível bancário significa na prática

Conforme empresas colocam inteligência artificial para operar sobre dados sensíveis, uma pergunta antecede o entusiasmo: para onde vai essa informação. Entender os critérios que separam uma arquitetura séria de uma improvisada virou parte da decisão de compra.

Carlos Guerra Jr., fundador da OmniAI.

Conforme empresas colocam inteligência artificial para operar sobre dados sensíveis, uma pergunta antecede o entusiasmo: para onde vai essa informação. Entender os critérios que separam uma arquitetura séria de uma improvisada virou parte da decisão de compra.

A adoção de inteligência artificial por empresas brasileiras avança em ritmo acelerado, mas costuma esbarrar em uma pergunta que vem antes de qualquer demonstração de funcionalidade: onde os dados vão parar. Para diretores de tecnologia e jurídico, a questão não é o que a ferramenta faz, e sim como ela trata a informação que recebe.

A preocupação tem fundamento. Sistemas de IA que operam sobre dados corporativos lidam com informações sensíveis: histórico de clientes, dados financeiros, comunicações internas. A forma como esses dados são armazenados, isolados e protegidos determina não apenas a segurança da operação, mas também a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados, em vigor no Brasil desde 2020.

O termo que tem circulado para descrever esse cuidado é soberania de dados: a ideia de que a empresa mantém controle pleno sobre suas próprias informações, sabendo onde estão, quem acessa e para que são usadas. É um conceito que ganha peso à medida que a IA deixa de ser experimento e passa a operar no núcleo das empresas.

Carlos Guerra Jr., fundador da OmniAI, plataforma brasileira de gestão por IA, sustenta que a maturidade de uma solução se mede menos pelo que ela automatiza e mais pela forma como protege o que recebe.

“A pergunta que todo diretor faz antes de colocar IA para rodar na operação não é o que ela faz. É onde meus dados vão parar e quem mais pode vê-los”.

Na prática, alguns critérios técnicos separam uma arquitetura preparada de uma improvisada. O primeiro é o isolamento de dados por cliente, conhecido no setor como arquitetura single-tenant, em que as informações de cada empresa ficam em um ambiente estritamente separado, sem se misturar com as de outras. O segundo é a garantia de que os dados e interações armazenados não sejam utilizados para treinar modelos de inteligência abertos, o que exporia informação proprietária.

Um terceiro critério é a rastreabilidade. Sistemas que agem de forma autônoma sobre dados precisam registrar cada decisão em logs de auditoria imutáveis, de modo que a empresa possa reconstruir o que foi feito, quando e por quê. Sem esse histórico, autonomia vira caixa-preta, e caixa-preta é incompatível com governança.

A OmniAI afirma estruturar sua arquitetura sob esses princípios, com isolamento por tenant, criptografia ponta a ponta e conformidade nativa com as legislações de proteção de dados.

Especialistas em proteção de dados costumam alertar que nenhum desses critérios é garantia isolada. Soberania de dados é uma combinação de arquitetura, política e cultura, e depende tanto da tecnologia quanto dos processos da empresa que a adota. A certificação de conformidade, os contratos de tratamento de dados e a transparência do fornecedor pesam tanto quanto a engenharia.

O que parece consensual entre quem acompanha o tema é que a conversa sobre IA corporativa amadureceu. Da pergunta inicial sobre o que a tecnologia consegue fazer, o mercado passou a uma pergunta mais difícil e mais relevante: em quem confiar para deixar a inteligência da empresa em suas mãos? Diante de uma tecnologia que aprende com tudo o que recebe, talvez a questão decisiva não seja o quanto ela é capaz, e sim o quanto ela é confiável.

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