{"id":6814,"date":"2026-09-29T17:44:27","date_gmt":"2026-09-29T20:44:27","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/29\/elas-temem-cancer-de-mama-mas-sao-as-doencas-cardiovasculares-que-matam-mais-as-mulheres-no-brasil\/"},"modified":"2026-09-29T17:44:27","modified_gmt":"2026-09-29T20:44:27","slug":"elas-temem-cancer-de-mama-mas-sao-as-doencas-cardiovasculares-que-matam-mais-as-mulheres-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/29\/elas-temem-cancer-de-mama-mas-sao-as-doencas-cardiovasculares-que-matam-mais-as-mulheres-no-brasil\/","title":{"rendered":"Elas temem c\u00e2ncer de mama, mas s\u00e3o as doen\u00e7as cardiovasculares que matam mais as mulheres no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-style:italic;font-size:1.1em;margin-bottom:1em\">A cardiologista Larissa Bethania desmonta o mito de que o maior risco feminino \u00e9 o c\u00e2ncer, e aponta o inimigo silencioso que ningu\u00e9m est\u00e1 olhando<\/p>\n<p>Ela tem <strong>45 anos<\/strong>, administra a carreira, a casa e os filhos. Dorme mal, come correndo e nunca faltou ao exame anual da mama. O que ela (e a maioria das brasileiras) n\u00e3o sabe \u00e9 que o maior risco \u00e0 sua vida n\u00e3o mora no que ela mais teme, mas sim no infarto, no AVC, na insufici\u00eancia card\u00edaca, que ela nem imagina.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, as doen\u00e7as cardiovasculares respondem por um ter\u00e7o das mortes de mulheres no mundo, cerca de <strong>8,5 milh\u00f5es de \u00f3bitos por ano<\/strong>, mais de <strong>23 mil por dia<\/strong>. No Brasil, estima-se que mais de <strong>30% das mortes femininas<\/strong> sejam causadas por infarto, AVC e insufici\u00eancia card\u00edaca, um \u00edndice que supera, somadas, as mortes por c\u00e2ncer de mama e de colo do \u00fatero. Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de S\u00e3o Paulo (<strong>SOCESP<\/strong>), no ritmo atual, uma mulher morre por infarto a cada <strong>12 minutos<\/strong> e por AVC a cada <strong>10 minutos<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente esse cen\u00e1rio que motivou a SBC a publicar, em posicionamento oficial do seu Departamento de Cardiologia da Mulher, um alerta: as doen\u00e7as cardiovasculares seguem sendo subdiagnosticadas nas mulheres, o que atrasa o in\u00edcio do tratamento e aumenta o risco de complica\u00e7\u00f5es graves, como infarto e AVC.<\/p>\n<p>Ainda assim, a percep\u00e7\u00e3o de risco permanece invertida. Enquanto o Outubro Rosa mobiliza milh\u00f5es de mulheres para o rastreamento do c\u00e2ncer de mama (campanha que tem pleno m\u00e9rito), o cora\u00e7\u00e3o feminino segue subestimado, inclusive dentro dos consult\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>1. O cora\u00e7\u00e3o da mulher n\u00e3o \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do homem<\/strong><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a medicina olhou para o cora\u00e7\u00e3o de forma quase universal, como se homens e mulheres apresentassem os mesmos fatores de risco, a mesma evolu\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as e as mesmas respostas ao tratamento. A ci\u00eancia j\u00e1 mostrou que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea sabia que o <strong>DIABETES<\/strong> e o <strong>TABAGISMO<\/strong> agridem muito mais o corpo da mulher do que o do homem?<\/p>\n<p>As art\u00e9rias coron\u00e1rias femininas t\u00eam menor calibre e anatomia pr\u00f3pria. As oscila\u00e7\u00f5es hormonais ao longo da vida (gravidez, per\u00edodo reprodutivo, transi\u00e7\u00e3o para a menopausa) alteram o perfil de risco cardiovascular. E a mulher apresenta, com mais frequ\u00eancia, quadros que seguem sendo pouco reconhecidos, como a disfun\u00e7\u00e3o microvascular coronariana, a dissec\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de coron\u00e1ria e a s\u00edndrome de Takotsubo, esta \u00faltima, diretamente associada a epis\u00f3dios de estresse intenso.<\/p>\n<p>Existem fatores de risco exclusivos ou predominantemente femininos, que historicamente ficaram fora do &#8220;checklist&#8221; cardiovascular cl\u00e1ssico: menopausa, hipertens\u00e3o na gravidez (pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia), s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos, endometriose, uso de contraceptivos hormonais na idade f\u00e9rtil.<\/p>\n<p>E cada evento tem seus pr\u00f3prios gatilhos: no infarto, o principal fator exclusivo \u00e9 a menopausa; j\u00e1 o AVC est\u00e1 associado \u00e0 gravidez e ao puerp\u00e9rio, ao uso de estr\u00f3genos ex\u00f3genos e ao tempo de exposi\u00e7\u00e3o aos estr\u00f3genos end\u00f3genos, ou seja, ao intervalo entre a primeira menstrua\u00e7\u00e3o e a menopausa.<\/p>\n<p>&#8220;Durante muitos anos, as mulheres n\u00e3o foram representadas em n\u00famero suficiente nos estudos cardiovasculares. Felizmente, a literatura, e agora tamb\u00e9m o posicionamento oficial da SBC, passou a olhar com aten\u00e7\u00e3o para essas diferen\u00e7as. \u00c9 essa ci\u00eancia que nos permite, hoje, prevenir de forma realmente individualizada&#8221;, explica Dra. Larissa Bethania.<\/p>\n<p><strong>2. Quando o estresse e a depress\u00e3o deixam de ser emocionais<\/strong><\/p>\n<p>Existe um elemento que precisa entrar definitivamente nessa conversa: o estresse cr\u00f4nico.<\/p>\n<p>A mulher contempor\u00e2nea administra m\u00faltiplas jornadas: press\u00e3o profissional, responsabilidades dom\u00e9sticas, cuidados com filhos e familiares, cobran\u00e7as sociais. Na pr\u00e1tica, a mulher carrega uma sobrecarga de cobran\u00e7as desde a inf\u00e2ncia muito maior que a do sexo masculino. Quando essa sobrecarga se torna permanente, o impacto n\u00e3o fica restrito \u00e0 sa\u00fade mental: reflete-se em altera\u00e7\u00f5es do sono, da press\u00e3o arterial, dos h\u00e1bitos alimentares e do sedentarismo, todos fatores que aumentam o risco cardiovascular.<\/p>\n<p>&#8220;Falar em preven\u00e7\u00e3o cardiovascular feminina tamb\u00e9m significa falar em gerenciamento de estresse e depress\u00e3o. A proposta \u00e9 compreender a mulher de maneira integral, para entender melhor os fatores de risco bem estabelecidos e espec\u00edficos da mulher, bem como os sub-reconhecidos (Diretriz Brasileira sobre a Sa\u00fade Cardiovascular no Climat\u00e9rio e na Menopausa &#8211; 2024, SBC; Figura 5.5)&#8221;, sugere Dra. Larissa Bethania.<\/p>\n<p><strong>3. Menopausa exige um novo olhar<\/strong><\/p>\n<p>A chegada da menopausa \u00e9 o segundo marco de aten\u00e7\u00e3o: com o fim da prote\u00e7\u00e3o hormonal natural, observa-se aumento da preval\u00eancia de doen\u00e7a cardiovascular e de morte cardiovascular na mulher. Com a redu\u00e7\u00e3o do estrog\u00eanio, ocorrem mudan\u00e7as metab\u00f3licas e cardiovasculares capazes de alterar o perfil de risco. \u00c9 exatamente nessa fase que o acompanhamento m\u00e9dico individualizado ganha ainda mais import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Na menopausa, vale ainda um olhar para a tireoide. Os dist\u00farbios da tireoide s\u00e3o significativamente mais comuns em mulheres e sua incid\u00eancia aumenta com o envelhecimento, por isso, nessa fase, n\u00e3o deixe de investigar sua fun\u00e7\u00e3o tireoidiana, j\u00e1 que ela tamb\u00e9m \u00e9 um fator de risco para as doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Para voc\u00ea, mulher na menopausa, entender mais: consulte as Figuras 3.1 e 3.2 da Diretriz Brasileira sobre a Sa\u00fade Cardiovascular no Climat\u00e9rio e na Menopausa &#8211; 2024, dispon\u00edvel em <a rel=\"nofollow\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/abccardiol.org\/wp-content\/uploads\/articles_xml\/0066-782X-abc-121-07-e20240478\/0066-782X-abc-121-07-e20240478.x47225.pdf)\">Arquivos Brasileiros de Cardiologia<\/a>.<\/p>\n<p><strong>4. O que fazer antes que apare\u00e7a o sintoma<\/strong><\/p>\n<p>A mensagem central \u00e9 simples: preven\u00e7\u00e3o come\u00e7a antes do diagn\u00f3stico. Na pr\u00e1tica, isso significa:<\/p>\n<p><strong>Conhecer seus n\u00fameros:<\/strong> press\u00e3o arterial, colesterol, glicemia, fun\u00e7\u00e3o tireoidiana (TSH) e circunfer\u00eancia abdominal, avaliados periodicamente;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o normalizar sintomas at\u00edpicos:<\/strong> n\u00e1usea, tontura, dor na mand\u00edbula, dentes, pesco\u00e7o ou nas costas, dor no est\u00f4mago, cansa\u00e7o incomum e falta de ar podem ser manifesta\u00e7\u00e3o de infarto na mulher;<\/p>\n<p><strong>Tratar o estresse como dado cl\u00ednico:<\/strong> sono ruim, exaust\u00e3o constante, ansiedade persistente e depress\u00e3o merecem lugar na consulta m\u00e9dica;<\/p>\n<p><strong>Contar sua hist\u00f3ria reprodutiva na consulta:<\/strong> idade da primeira menstrua\u00e7\u00e3o, todo o hist\u00f3rico da sua gesta\u00e7\u00e3o, SOP, endometriose e uso de contraceptivos hormonais fazem parte da sua hist\u00f3ria de risco cardiovascular;<\/p>\n<p><strong>Antecipar a menopausa:<\/strong> a avalia\u00e7\u00e3o cardiovascular deve ser refor\u00e7ada antes e durante a transi\u00e7\u00e3o hormonal, n\u00e3o somente ap\u00f3s a menopausa chegar.<\/p>\n<p><strong>5. Um chamado \u00e0s mulheres do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Dra. Larissa quer levar essa informa\u00e7\u00e3o al\u00e9m do consult\u00f3rio: para as mulheres que n\u00e3o t\u00eam tempo de ler um artigo m\u00e9dico, mas que precisam, urgentemente, conhecer o pr\u00f3prio risco. Ela vem estruturando conte\u00fados abertos de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o feminino em seu Instagram, pensados para alcan\u00e7ar donas de casa, executivas, m\u00e3es e filhas em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Quero que cada mulher entenda que cuidar do cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 esperar a doen\u00e7a aparecer. \u00c9 praticar auto-observa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, olhar para a pr\u00f3pria rotina, conhecer seu corpo e reconhecer seus fatores de risco e come\u00e7ar a fazer escolhas diferentes antes que um problema aconte\u00e7a&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>A mulher da abertura desta mat\u00e9ria (45 anos, tr\u00eas jornadas, exames em dia) pode ser qualquer uma delas (dona de casa, executiva, m\u00e3e e\/ou filha). Ou a pr\u00f3pria leitora, voc\u00ea. Seu cora\u00e7\u00e3o pede aten\u00e7\u00e3o agora, e n\u00e3o na pr\u00f3xima emerg\u00eancia.<\/p>\n<\/p>\n<p>Dra. Larissa Bethania &#8211; Cardiologista e M\u00e9dica do Esporte (<strong>CRM-PA 9191<\/strong> | <strong>RQE<\/strong> 4682 | <strong>RQE <\/strong>4635 | <strong>RQE <\/strong>9795<\/p>\n<p><strong>Consultas online \/ WhatsApp:<\/strong> (94) 98165-3500<\/p>\n<p><strong>Para mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Instagram: <\/strong><a rel=\"nofollow\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dralarissabethania\"><strong>https:\/\/www.instagram.com\/dralarissabethania<\/strong><\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/us-central1-pulsebrand-plataforma.cloudfunctions.net\/trackPixel?c=faa8eb9a-cefb-44ca-b8a7-13c7cd03586b&amp;v=3cab41d5-5cfb-4291-beca-26643eb500cb&amp;p=881a33ed-2087-45c5-80f1-767341edd15c\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"\" style=\"display:none\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cardiologista Larissa Bethania desmonta o mito de que o maior risco feminino \u00e9 o c\u00e2ncer, e aponta o inimigo silencioso que ningu\u00e9m est\u00e1 olhando<\/p>\n","protected":false},"author":3647118390,"featured_media":6813,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6814","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3647118390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6814"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6814\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}