{"id":6682,"date":"2026-09-24T11:49:04","date_gmt":"2026-09-24T14:49:04","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/24\/a-gente-nao-cresceu-a-gente-inchou-licoes-de-um-empresario-apos-a-quebra\/"},"modified":"2026-09-24T11:49:04","modified_gmt":"2026-09-24T14:49:04","slug":"a-gente-nao-cresceu-a-gente-inchou-licoes-de-um-empresario-apos-a-quebra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/24\/a-gente-nao-cresceu-a-gente-inchou-licoes-de-um-empresario-apos-a-quebra\/","title":{"rendered":"\u201cA gente n\u00e3o cresceu, a gente inchou\u201d: Li\u00e7\u00f5es de um empres\u00e1rio ap\u00f3s a quebra"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-style:italic;font-size:1.1em;margin-bottom:1em\">De uma caixa de picol\u00e9 em Arapiraca (AL) a um grupo log\u00edstico que hoje opera no Brasil e no Mercosul, Carlos Andr\u00e9 Gomes da Silva passou pela fal\u00eancia, levou 14 anos para quitar todas as d\u00edvidas e recome\u00e7ou durante a pandemia. Aos 50 anos, ele fala das dores de empreender no pa\u00eds e da conta que nunca aparece na planilha<\/p>\n<p>A primeira escola de neg\u00f3cios de Carlos Andr\u00e9 Gomes da Silva foi uma caixa de isopor. Aos 12 anos, ele percorria as ruas de Arapiraca, no agreste de Alagoas, vendendo picol\u00e9 sob o sol. Ali, diz, aprendeu a li\u00e7\u00e3o que o acompanharia por quase quatro d\u00e9cadas: ouvir o &#8220;n\u00e3o&#8221; e encontrar um motivo para transform\u00e1-lo em &#8220;sim&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Quem para na primeira n\u00e3o vende picol\u00e9. Quem para na primeira n\u00e3o vende nada&#8221;, repete hoje o fundador e presidente do Grupo BRLogis, operador log\u00edstico do setor automotivo com sede em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A frase soa como bord\u00e3o de palestra. Na trajet\u00f3ria dele, \u00e9 biografia, narrada em primeira pessoa, sem esconder os tombos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>1. O auge, a quebra e a conta invis\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com quase 30 anos dedicados ao transporte de ve\u00edculos, Carlos Andr\u00e9 construiu a carreira no ABC paulista. Em 1999, fundou a Trans Andr\u00e9. Em cinco anos, atingiu o auge. Em 2005, quebrou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O roteiro da queda n\u00e3o foi o da falta de clientes. Foi o que ele descreve como uma sucess\u00e3o de contratos malfeitos, uma trai\u00e7\u00e3o e processos judiciais, uma bola de neve que, nas palavras dele, simplesmente n\u00e3o parava de crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O custo humano veio junto. No auge, ele diz que tinha &#8220;duzentos, trezentos amigos&#8221;. No momento da quebra, restaram cinco. Os ativos da Trans Andr\u00e9 foram vendidos por muito menos do que valiam. E, segundo seu pr\u00f3prio relato, ele levou 14 anos para quitar, uma a uma, todas as d\u00edvidas, sem trocar de n\u00famero de telefone e sem deixar devedor para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 nesse ponto que a hist\u00f3ria deixa de ser sobre uma empresa e passa a ser sobre o que o pa\u00eds cobra de quem decide empreender. Para boa parte dos neg\u00f3cios brasileiros, a mortalidade n\u00e3o vem da opera\u00e7\u00e3o, e sim do entorno: o contrato que n\u00e3o se sustenta na Justi\u00e7a, o s\u00f3cio que desiste, o cr\u00e9dito que chega caro e tarde, o tempo que se perde enquanto a d\u00edvida corre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2. Recome\u00e7ar em plena pandemia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O segundo cap\u00edtulo come\u00e7ou em 2020, no pior momento poss\u00edvel. Em outubro daquele ano, no meio da crise sanit\u00e1ria, ele fundou a BRLogis, segundo sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o, &#8220;mais empresa de tecnologia do que de transporte&#8221;, com 75 s\u00f3cios e foco inicial em locadoras de ve\u00edculos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A diferen\u00e7a entre o primeiro neg\u00f3cio e o segundo, ele resume numa frase que virou o pr\u00f3logo de sua biografia, &#8220;Diesel na veia&#8221;: &#8220;A gente n\u00e3o cresceu, a gente inchou&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A li\u00e7\u00e3o, diz, \u00e9 a que faltou na primeira vez. Crescer \u00e9 organizar, medir, sustentar; inchar \u00e9 somar volume sem estrutura. Muitos empres\u00e1rios brasileiros, avalia, confundem as duas coisas at\u00e9 que a conta chegue, e, quando chega, o pre\u00e7o raramente \u00e9 apenas financeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>3. Seis anos depois, o salto e o que ele revela<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cen\u00e1rio mudou. Em julho de 2026, o grupo registrou crescimento de 332% em um \u00fanico m\u00eas, salto puxado por um aporte de investidores estrangeiros. O movimento abriu caminho para contratos com montadoras estrangeiras e para um investimento de <strong>R$ 75 milh\u00f5es<\/strong> na renova\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da frota, com aumento consider\u00e1vel da capacidade para o transporte de ve\u00edculos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em agosto, a BRLogis foi uma das empresas homenageadas no ranking EXAME Neg\u00f3cios em Expans\u00e3o 2026, que reuniu 491 companhias, de um recorde de 838 inscritas, entre as que mais cresceram no \u00faltimo ano. A opera\u00e7\u00e3o hoje alcan\u00e7a o Brasil e outros pa\u00edses do Mercosul, com frota pr\u00f3pria e de terceiros, p\u00e1tios, prepara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e tecnologia pr\u00f3pria de rastreamento.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vivendo um momento transformador. O investimento nos permitiu acelerar planos que estavam previstos para os pr\u00f3ximos anos. Com a nova frota e a parceria com tr\u00eas grandes montadoras, nossa expectativa \u00e9 manter o ritmo de crescimento e ampliar ainda mais nossa participa\u00e7\u00e3o no mercado&#8221;, afirma a dire\u00e7\u00e3o da companhia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1, por\u00e9m, um detalhe que a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria exp\u00f5e: o salto que tirou o neg\u00f3cio do plat\u00f4 veio com capital estrangeiro. Para um empres\u00e1rio que passou 14 anos pagando d\u00edvidas antes de voltar a crescer, a hist\u00f3ria diz tanto sobre resili\u00eancia quanto sobre as dificuldades de financiar a expans\u00e3o dentro de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>4. A ponte para o outro lado da fronteira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2026, a inquieta\u00e7\u00e3o o levou al\u00e9m do Brasil. Idealizador da BRPY Conex\u00e3o, ele reuniu, em S\u00e3o Paulo, cerca de 100 empres\u00e1rios brasileiros e a c\u00fapula pol\u00edtica de Ciudad del Este para apresentar as condi\u00e7\u00f5es que o Paraguai oferece ao investimento industrial, a Lei de Maquila, a energia mais barata e a zona industrial do pa\u00eds vizinho. Em maio, em sess\u00e3o solene na C\u00e2mara Municipal de Macei\u00f3, recebeu a Comenda Vereador Otac\u00edlio Holanda pelo trabalho de aproxima\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O gesto \u00e9 amb\u00edguo e revelador. Ao mesmo tempo que aproxima empres\u00e1rios brasileiros de uma nova fronteira de neg\u00f3cios, ele aponta para uma pergunta inc\u00f4moda: por que tanta gente procura do outro lado da linha o que ainda \u00e9 dif\u00edcil encontrar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>5. O que fica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aos 50 anos, Carlos Andr\u00e9 n\u00e3o apresenta sua hist\u00f3ria como exemplo de sucesso, e sim como sobreviv\u00eancia. Fala de trai\u00e7\u00e3o, de contratos que n\u00e3o se sustentaram, de amigos que se foram, de ativos vendidos a pre\u00e7o de ocasi\u00e3o e de 14 anos arrastando o peso de uma fal\u00eancia. Fala tamb\u00e9m das dores que n\u00e3o cabem em balan\u00e7o: o medo, o isolamento, a sensa\u00e7\u00e3o de recome\u00e7ar do zero quando j\u00e1 se conhecia o topo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para ele, a li\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nas vit\u00f3rias de 2026. Est\u00e1 no que sobrou de 2005, e na decis\u00e3o de, mesmo assim, recome\u00e7ar. &#8220;Quem para na primeira n\u00e3o vende picol\u00e9&#8221;, repete. &#8220;Quem para na primeira n\u00e3o vende nada.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/us-central1-pulsebrand-plataforma.cloudfunctions.net\/trackPixel?c=ff66e484-0cef-4bbb-b20b-251a8ad69724&amp;v=8ca75f51-2e38-4836-b338-7b22f490b20b&amp;p=881a33ed-2087-45c5-80f1-767341edd15c\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"\" style=\"display:none\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De uma caixa de picol\u00e9 em Arapiraca (AL) a um grupo log\u00edstico que hoje opera no Brasil e no Mercosul, Carlos Andr\u00e9 Gomes da Silva passou pela fal\u00eancia, levou 14 anos para quitar todas as d\u00edvidas e recome\u00e7ou durante a pandemia. 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