{"id":6547,"date":"2026-09-17T14:28:34","date_gmt":"2026-09-17T17:28:34","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/17\/medicina-no-sus-une-conhecimento-humanidade-e-cuidado-com-quem-mais-precisa\/"},"modified":"2026-09-17T14:28:34","modified_gmt":"2026-09-17T17:28:34","slug":"medicina-no-sus-une-conhecimento-humanidade-e-cuidado-com-quem-mais-precisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/17\/medicina-no-sus-une-conhecimento-humanidade-e-cuidado-com-quem-mais-precisa\/","title":{"rendered":"Medicina no SUS une conhecimento, humanidade e cuidado com quem mais precisa"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-style:italic;font-size:1.1em;margin-bottom:1em\">M\u00e9dico e coordenador do Centro de Estudos Niter\u00f3i D\u2019Or, Marco Orsini fala ao lado de Marco Antonio Ara\u00fajo Leite sobre a dimens\u00e3o humana da medicina p\u00fablica<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Marco Orsini, coordenador do Centro de Estudos Niter\u00f3i D&#8217;Or, e o m\u00e9dico Marco Antonio Ara\u00fajo Leite compartilham uma vis\u00e3o de medicina que ultrapassa o conhecimento t\u00e9cnico e encontra na escuta, na presen\u00e7a e na humanidade parte essencial do cuidado. Em entrevista exclusiva, os dois profissionais refletem sobre a experi\u00eancia de atuar no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e sobre a rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda diariamente com pacientes que enfrentam diferentes formas de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Marco Orsini tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, ao estudo e \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento m\u00e9dico por meio do Centro de Estudos Niter\u00f3i D&#8217;Or. Nesse ambiente, a atualiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a troca de experi\u00eancias fazem parte da constru\u00e7\u00e3o de uma medicina baseada em conhecimento. No atendimento p\u00fablico, por\u00e9m, o m\u00e9dico encontra outra dimens\u00e3o igualmente importante: o contato direto com pessoas e hist\u00f3rias que revelam diferentes faces da realidade brasileira.<\/p>\n<p>Para Orsini, atuar no SUS significa colocar o conhecimento adquirido ao longo da carreira a servi\u00e7o de quem precisa de atendimento, muitas vezes em contextos marcados pela pobreza, pela vulnerabilidade e pela espera. \u00c9 uma medicina que acontece longe dos holofotes e que, segundo ele, oferece uma experi\u00eancia profundamente humana.<\/p>\n<p>&#8220;O que mais me encanta no SUS, e principalmente onde atendo, em um aconchegante espa\u00e7o na Regi\u00e3o Oce\u00e2nica de Niter\u00f3i, \u00e9 o rodear de pessoas, os olhares, o carinho e a troca sincera que tenho com eles&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Essa proximidade com os pacientes \u00e9 apontada pelo m\u00e9dico como uma das raz\u00f5es pelas quais valoriza especialmente a atua\u00e7\u00e3o fora dos grandes espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu, particularmente, amo a medicina fora dos holofotes, pois ali estou em paz e despido de tudo&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Essa filosofia tamb\u00e9m atravessa a rela\u00e7\u00e3o de Orsini com os filhos, Jo\u00e3o e Bento. O m\u00e9dico conta que procura transmitir a eles uma compreens\u00e3o de cuidado que come\u00e7a pela capacidade de enxergar o outro e estar dispon\u00edvel para ouvir.<\/p>\n<p>&#8220;Onde tiver uma pessoa menos favorecida, necessitando de n\u00f3s, adoecida, voc\u00eas devem parar absolutamente tudo e, no m\u00ednimo, escutar&#8221;, afirma, ao explicar uma das mensagens que procura deixar como ensinamento para os filhos.<\/p>\n<p>Marco Antonio Ara\u00fajo Leite tamb\u00e9m construiu parte importante de sua trajet\u00f3ria profissional na medicina p\u00fablica. Para ele, cuidar n\u00e3o deve significar escolher quem pode pagar, mas reconhecer em cada paciente o mesmo direito \u00e0 vida e \u00e0 dignidade.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalho no SUS h\u00e1 anos, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o sei quando meus pacientes poder\u00e3o retornar \u00e0s novas consultas. Por situa\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, mas definitivamente a mais pesada \u00e9 a falta de capital&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o evidencia uma das dificuldades enfrentadas diariamente por pacientes e profissionais: a necessidade de acompanhamento m\u00e9dico nem sempre encontra condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas capazes de garantir a continuidade do tratamento. Ainda assim, os m\u00e9dicos ressaltam que a experi\u00eancia no SUS tamb\u00e9m \u00e9 marcada por hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o, resili\u00eancia e v\u00ednculos constru\u00eddos no cotidiano.<\/p>\n<p>Na conviv\u00eancia com pacientes de diferentes origens e condi\u00e7\u00f5es sociais, a medicina se transforma tamb\u00e9m em uma oportunidade de compreender as diferen\u00e7as. Para a assistente social Cyntia Iennaco, cuidar \u00e9 uma forma de pertencer \u00e0 pr\u00f3pria humanidade e de reconhecer que a doen\u00e7a, a dor e a necessidade de acolhimento podem atravessar qualquer pessoa.<\/p>\n<p>Ao entrar pelo posto de atendimento em Itaipu, na Regi\u00e3o Oce\u00e2nica de Niter\u00f3i, Orsini encontra um sentido particular para sua profiss\u00e3o. &#8220;Saber que, naquele dia, quando entro pelo posto de Itaipu, Regi\u00e3o Oce\u00e2nica, Niter\u00f3i, meu conhecimento e presen\u00e7a serviram para algu\u00e9m que realmente precisava dele&#8221; representa, segundo ele, uma das experi\u00eancias que d\u00e3o significado ao trabalho.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o existe espet\u00e1culo m\u00e9dico, mas uma batalha cotidiana contra a doen\u00e7a, a dor, a vulnerabilidade e as limita\u00e7\u00f5es que fazem parte da realidade de muitos brasileiros. \u00c9 justamente nesse espa\u00e7o que o conhecimento cient\u00edfico encontra o humanismo.<\/p>\n<p>Para Marco Antonio Ara\u00fajo Leite, a pr\u00e1tica m\u00e9dica precisa reunir essas duas dimens\u00f5es. O profissional deve compreender o naturalismo, buscando entender de onde v\u00eam e como se desenvolvem as doen\u00e7as, mas \u00e9 o humanismo que oferece inspira\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a e para a luta contra a mis\u00e9ria e a dor.<\/p>\n<p>&#8220;Exercer medicina no SUS \u00e9 um ato em que vibram seus cora\u00e7\u00f5es e mentes. Em que o humanismo \u00e9 capaz de entender a pobreza e a vulnerabilidade da espera&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Em sua reflex\u00e3o, o m\u00e9dico recorre ainda \u00e0 cultura popular para explicar a capacidade humana de enfrentar a tristeza. &#8220;\u00c9 como diz o samba: &#8216;cantando eu mando a tristeza embora&#8217;. Talvez s\u00f3 tenhamos a capacidade de diminu\u00ed-la, ao inv\u00e9s de exclu\u00ed-la. Mas n\u00e3o deixa de ser um feito de grande valia, sempre a ser tentado&#8221;.<\/p>\n<p>No cotidiano do SUS, os m\u00e9dicos tamb\u00e9m encontram hist\u00f3rias que n\u00e3o terminam necessariamente em grandes resultados ou reconhecimentos p\u00fablicos. Um abra\u00e7o, um beijo, um sorriso, uma palavra de conforto ou o gesto de secar uma l\u00e1grima podem representar momentos importantes para quem enfrenta uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Temos essa oportunidade no Brasil: o SUS. Apesar de sabotado, muitos daqueles que fazem parte desse sistema sabem que medalhas e diplomas comemorativos geralmente n\u00e3o surgem. De quando em vez, h\u00e1 at\u00e9 xingamento. Por\u00e9m, temos orgulho do abra\u00e7o, do beijo, de secar uma l\u00e1grima, de sorrir junto&#8221;, afirma Marco Antonio.<\/p>\n<p>Para os dois m\u00e9dicos, esses pequenos gestos fazem parte de uma dimens\u00e3o do trabalho que nem sempre aparece em n\u00fameros, diplomas ou homenagens. A possibilidade de contribuir para uma melhora, ainda que pequena ou passageira, ou at\u00e9 mesmo acompanhar a cura de um paciente, representa uma experi\u00eancia significativa para quem escolheu a medicina.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o final dos profissionais parte de uma ideia central: a vida humana n\u00e3o possui uma hierarquia de import\u00e2ncia. O rico e o pobre adoecem. O forte e o fr\u00e1gil sentem medo. Todos envelhecem e est\u00e3o sujeitos \u00e0 perda. Em algum momento, qualquer pessoa pode precisar que algu\u00e9m estenda a m\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, a medicina p\u00fablica carrega um compromisso com a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana: cuidar sem perguntar primeiro quanto vale aquele que est\u00e1 diante do profissional. Para Marco Orsini e Marco Antonio Ara\u00fajo Leite, o SUS representa uma oportunidade concreta de colocar conhecimento, experi\u00eancia e humanidade a servi\u00e7o de quem mais precisa.<\/p>\n<p>Os dois defendem que o sistema continue crescendo e superando as dificuldades que atravessam sua trajet\u00f3ria. Entre desafios, encontros e hist\u00f3rias de vida, encontram no atendimento p\u00fablico uma das express\u00f5es mais concretas do sentido de exercer a medicina: usar aquilo que aprenderam para cuidar de outra pessoa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/us-central1-pulsebrand-plataforma.cloudfunctions.net\/trackPixel?c=7d08c02b-eb94-4f0d-83a5-f832bee0c839&amp;v=e8bf7a8f-dc77-4009-87cb-dce785efc304&amp;p=881a33ed-2087-45c5-80f1-767341edd15c\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"\" style=\"display:none\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dico e coordenador do Centro de Estudos Niter\u00f3i D\u2019Or, Marco Orsini fala ao lado de Marco Antonio Ara\u00fajo Leite sobre a dimens\u00e3o humana da medicina p\u00fablica<\/p>\n","protected":false},"author":3647118390,"featured_media":6546,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6547","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3647118390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6547"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6547\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}