{"id":6482,"date":"2026-09-15T11:15:37","date_gmt":"2026-09-15T14:15:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/15\/marco-orsini-e-natasha-geisel-alertam-sobre-diferencas-comportamentais-e-autismo\/"},"modified":"2026-09-15T11:15:37","modified_gmt":"2026-09-15T14:15:37","slug":"marco-orsini-e-natasha-geisel-alertam-sobre-diferencas-comportamentais-e-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/09\/15\/marco-orsini-e-natasha-geisel-alertam-sobre-diferencas-comportamentais-e-autismo\/","title":{"rendered":"Marco Orsini e Natasha Geisel alertam sobre diferen\u00e7as comportamentais e autismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-style:italic;font-size:1.1em;margin-bottom:1em\">M\u00e9dicos defendem avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica rigorosa, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria do desenvolvimento e cautela diante da medicaliza\u00e7\u00e3o excessiva da inf\u00e2ncia<\/p>\n<p>Ser diferente n\u00e3o significa necessariamente ser divergente, assim como apresentar caracter\u00edsticas sociais incomuns ou determinados tra\u00e7os de personalidade n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, indicativo de autismo. O alerta \u00e9 feito pelo neurologista Marco Orsini, coordenador do Centro de Estudos Niter\u00f3i D&#8217;Or, e pela m\u00e9dica Natasha Geisel, que defendem uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica criteriosa antes de associar automaticamente comportamentos fora do padr\u00e3o ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).<\/p>\n<p>Para Orsini, existe atualmente uma tend\u00eancia de estabelecer, de maneira desordenada, uma esp\u00e9cie de linha da normalidade social. &#8220;As pessoas querem tra\u00e7ar de forma an\u00e1rquica e desordenada uma esp\u00e9cie de linha da normalidade social. Se voc\u00ea est\u00e1 fora dessa, indubitavelmente, ganhar\u00e1 um lacre de diferente. Esse \u00e9 o perigo. Investimentos, medicamentos, preocupa\u00e7\u00f5es e problemas emocionais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O neurologista destaca que pessoas funcionais e produtivas tamb\u00e9m precisam aprender a compreender suas pr\u00f3prias dificuldades e desenvolver estrat\u00e9gias para lidar com elas. &#8220;Como sempre converso com os meus pacientes: se voc\u00eas s\u00e3o funcionais em suas atividades e produtivos, aprendam a desenhar os problemas e criar meios internos de melhorar. Essa \u00e9 a primeira dica&#8221;, orienta.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, a diversidade humana precisa ser considerada antes que caracter\u00edsticas individuais sejam interpretadas como sinais de uma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Orsini cita como exemplo uma pessoa com estilo ou comportamento considerado incomum. &#8220;Aquela suposta menina que se veste de preto e l\u00ea mang\u00e1 \u00e9 esquisita? N\u00e3o. \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o. O jovem que pouco fala e n\u00e3o interage como gostariam \u00e9 estranho? N\u00e3o necessariamente. Pode ser da natureza dele&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>Para os m\u00e9dicos, diferen\u00e7a e diverg\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. &#8220;Diferente&#8221; descreve uma caracter\u00edstica que se afasta do padr\u00e3o mais comum. J\u00e1 &#8220;divergente&#8221; envolve uma trajet\u00f3ria, posi\u00e7\u00e3o ou comportamento que se distancia de uma norma ou dire\u00e7\u00e3o predominante. Na avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, portanto, uma personalidade reservada, uma forma de intera\u00e7\u00e3o social menos comum ou escolhas individuais n\u00e3o devem ser confundidas automaticamente com sinais de transtorno.<\/p>\n<p>O autismo, ressalta Orsini, \u00e9 um diagn\u00f3stico cl\u00ednico e n\u00e3o simplesmente uma maneira diferente de ser. A identifica\u00e7\u00e3o do TEA envolve caracter\u00edsticas persistentes relacionadas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 intera\u00e7\u00e3o social, associadas a padr\u00f5es restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Esses sinais devem estar relacionados ao neurodesenvolvimento e apresentar repercuss\u00e3o funcional clinicamente relevante.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa minimizar apresenta\u00e7\u00f5es mais sutis do transtorno. Algumas pessoas, especialmente adultos, podem ter passado anos sem diagn\u00f3stico porque determinadas caracter\u00edsticas foram compensadas ou interpretadas apenas como timidez, excentricidade, tra\u00e7os de personalidade ou dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o. Por isso, os especialistas defendem equil\u00edbrio entre reconhecer o transtorno e evitar associa\u00e7\u00f5es precipitadas.<\/p>\n<p>&#8220;Ser diferente n\u00e3o \u00e9 ser autista; ser socialmente divergente tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, um diagn\u00f3stico de TEA. O diagn\u00f3stico de autismo exige crit\u00e9rios cl\u00ednicos, hist\u00f3ria do desenvolvimento e repercuss\u00e3o funcional, al\u00e9m de, muitas vezes, a pr\u00f3pria experi\u00eancia e expertise m\u00e9dica em reconhecer e associar caracter\u00edsticas e queixas aos crit\u00e9rios do DSM, Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais&#8221;, afirma Orsini.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o ganha ainda mais import\u00e2ncia quando envolve crian\u00e7as. Natasha chama aten\u00e7\u00e3o para o risco de transformar comportamentos pr\u00f3prios do desenvolvimento infantil em doen\u00e7as ou transtornos que demandem interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Crian\u00e7as da mesma faixa et\u00e1ria podem apresentar diferen\u00e7as na maneira de receber e interpretar est\u00edmulos sensoriais, lingu\u00edsticos, proprioceptivos e cinest\u00e9sicos, al\u00e9m de ritmos distintos para alcan\u00e7ar determinados marcos do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Esses marcos devem ser acompanhados pelo pediatra dentro dos intervalos esperados para cada fase, com avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica e criteriosa. Para a m\u00e9dica, \u00e9 importante diferenciar varia\u00e7\u00e3o normal, diferen\u00e7a, dificuldade, transtorno cl\u00ednico e necessidade de tratamento. Uma crian\u00e7a pode atravessar per\u00edodos de irritabilidade, timidez, dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o ou prefer\u00eancia por determinadas brincadeiras sem que isso represente necessariamente um transtorno.<\/p>\n<p>Nesse contexto, os especialistas tamb\u00e9m alertam para a medicaliza\u00e7\u00e3o excessiva da inf\u00e2ncia. Antes de transformar um comportamento em diagn\u00f3stico ou indicar medicamentos, \u00e9 necess\u00e1rio compreender a rotina da crian\u00e7a, seus v\u00ednculos, oportunidades de brincar, sono, alimenta\u00e7\u00e3o, socializa\u00e7\u00e3o e contexto familiar.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos combater a medicaliza\u00e7\u00e3o excessiva da inf\u00e2ncia sem negar os transtornos reais. Nem toda diferen\u00e7a \u00e9 doen\u00e7a, nem todo comportamento dif\u00edcil precisa de diagn\u00f3stico ou medicamento&#8221;, defende Orsini.<\/p>\n<p>Natasha refor\u00e7a que aspectos b\u00e1sicos da vida cotidiana fazem parte da an\u00e1lise do desenvolvimento. Movimento, brincadeira, sono adequado, v\u00ednculos afetivos, limites, conviv\u00eancia e pertencimento podem influenciar diretamente o comportamento infantil.<\/p>\n<p>&#8220;Antes de medicar uma crian\u00e7a, precisamos perguntar se estamos oferecendo a ela os meios necess\u00e1rios para que tenha uma rotina minimamente estruturada, contemplando movimento, brincadeira, alimenta\u00e7\u00e3o e sono adequados, v\u00ednculos afetivos e verdadeira socializa\u00e7\u00e3o. Nem toda diferen\u00e7a e queixa precisa ser &#8216;remediada&#8217;, e muitas vezes precisamos pesar na balan\u00e7a a rela\u00e7\u00e3o entre benef\u00edcios e poss\u00edveis efeitos adversos de uma medica\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Natasha Geisel.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos n\u00e3o \u00e9 negar a exist\u00eancia dos transtornos do neurodesenvolvimento nem dificultar o acesso ao diagn\u00f3stico. O objetivo \u00e9 evitar que o conceito de autismo seja ampliado de maneira indiscriminada, fazendo com que toda caracter\u00edstica que se distancia do padr\u00e3o seja interpretada como sinal de uma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o rigor na avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m protege quem realmente precisa de diagn\u00f3stico e acompanhamento. Uma investiga\u00e7\u00e3o superficial pode resultar tanto em diagn\u00f3sticos excessivos quanto na aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o de pessoas que apresentam o transtorno. Por isso, devem ser considerados a hist\u00f3ria do desenvolvimento, o conjunto de caracter\u00edsticas, a persist\u00eancia dos sinais e seus impactos sobre a vida cotidiana.<\/p>\n<p>Para Orsini, conhecer a crian\u00e7a antes de tentar classific\u00e1-la \u00e9 parte essencial desse processo. Observar seus interesses, estabelecer v\u00ednculos, compreender suas dificuldades e reconhecer suas potencialidades contribui para uma avalia\u00e7\u00e3o mais respons\u00e1vel e menos baseada em comportamentos isolados.<\/p>\n<p>&#8220;Antes de procurar um diagn\u00f3stico para cada diferen\u00e7a, precisamos entrela\u00e7ar la\u00e7os, estar presentes e conhecer nossos filhos. Crian\u00e7as precisam, antes de tudo, de v\u00ednculo, movimento, brincadeira, limites, afeto e pertencimento&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o proposta por Marco Orsini e Natasha Geisel evidencia um dos desafios contempor\u00e2neos relacionados ao autismo: encontrar equil\u00edbrio entre reconhecer condi\u00e7\u00f5es reais e respeitar a diversidade humana. Para os m\u00e9dicos, compreender essa diferen\u00e7a \u00e9 fundamental para que o diagn\u00f3stico seja instrumento de cuidado e n\u00e3o uma explica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica para todo comportamento que se distancia do padr\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/us-central1-pulsebrand-plataforma.cloudfunctions.net\/trackPixel?c=73472a28-f849-4577-97f4-a652d3d5e422&amp;v=513fc50c-af3e-4b30-b2b4-b621ead16aec&amp;p=881a33ed-2087-45c5-80f1-767341edd15c\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"\" style=\"display:none\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dicos defendem avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica rigorosa, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria do desenvolvimento e cautela diante da medicaliza\u00e7\u00e3o excessiva da inf\u00e2ncia<\/p>\n","protected":false},"author":3647118390,"featured_media":6481,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6482","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3647118390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}