{"id":5611,"date":"2026-07-15T15:51:35","date_gmt":"2026-07-15T18:51:35","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/07\/15\/como-a-doenca-de-parkinson-afeta-o-coracao-2\/"},"modified":"2026-07-15T15:51:35","modified_gmt":"2026-07-15T18:51:35","slug":"como-a-doenca-de-parkinson-afeta-o-coracao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/07\/15\/como-a-doenca-de-parkinson-afeta-o-coracao-2\/","title":{"rendered":"Como a doen\u00e7a de Parkinson afeta o cora\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-style:italic;font-size:1.1em;margin-bottom:1em\">Doen\u00e7a de Parkinson e o cora\u00e7\u00e3o: uma liga\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m dos tremores.<\/p>\n<p>Quando se fala em doen\u00e7a de Parkinson, os primeiros sintomas que v\u00eam \u00e0 mente costumam ser os tremores, a lentid\u00e3o dos movimentos e a rigidez muscular. No entanto, a ci\u00eancia mostra que a doen\u00e7a vai muito al\u00e9m do comprometimento motor e pode atingir diferentes sistemas do organismo, incluindo o cora\u00e7\u00e3o e os vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Considerada a segunda doen\u00e7a neurodegenerativa mais comum do mundo, atr\u00e1s apenas da doen\u00e7a de Alzheimer, a enfermidade afeta milh\u00f5es de pessoas e compromete significativamente a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, as doen\u00e7as cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no planeta. Nos \u00faltimos anos, estudos t\u00eam demonstrado que essas duas condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais conectadas do que se imaginava.<\/p>\n<p>O neurologista Marco Orsini explica que, embora seja classificada como uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica, o Parkinson pode provocar importantes repercuss\u00f5es cardiovasculares ao comprometer o sistema nervoso aut\u00f4nomo, respons\u00e1vel por controlar fun\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias, como frequ\u00eancia card\u00edaca, press\u00e3o arterial e ritmo dos batimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Quando pensamos na doen\u00e7a de Parkinson, geralmente lembramos dos tremores, da lentid\u00e3o dos movimentos e da rigidez muscular. Mas hoje sabemos que o Parkinson vai muito al\u00e9m desses sintomas. Embora seja conhecido como uma doen\u00e7a do c\u00e9rebro, ele pode afetar v\u00e1rias partes do organismo, incluindo o cora\u00e7\u00e3o e os vasos sangu\u00edneos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo a cardiologista Renata de Faria Modenesi, essa rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre porque Parkinson e doen\u00e7as cardiovasculares compartilham fatores de risco importantes, como envelhecimento, diabetes, inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e estresse oxidativo. Al\u00e9m disso, quando o sistema nervoso aut\u00f4nomo deixa de funcionar adequadamente, surgem altera\u00e7\u00f5es que afetam diretamente a circula\u00e7\u00e3o e o funcionamento card\u00edaco.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais frequentes \u00e9 a disfun\u00e7\u00e3o auton\u00f4mica cardiovascular. O organismo perde parte da capacidade de regular adequadamente a press\u00e3o arterial e a frequ\u00eancia card\u00edaca, favorecendo epis\u00f3dios de tontura, desmaios, quedas e oscila\u00e7\u00f5es importantes da press\u00e3o ao longo do dia&#8221;, explica Renata.<\/p>\n<p>Entre os sintomas mais comuns est\u00e3o queda da press\u00e3o ao se levantar rapidamente, tonturas, sensa\u00e7\u00e3o de desmaio, altera\u00e7\u00f5es da press\u00e3o ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es e intoler\u00e2ncia aos esfor\u00e7os. Alguns medicamentos utilizados no tratamento do Parkinson tamb\u00e9m podem favorecer epis\u00f3dios de press\u00e3o baixa, refor\u00e7ando a necessidade de acompanhamento m\u00e9dico cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es funcionais, estudos mostram que pessoas com Parkinson apresentam maior frequ\u00eancia de mudan\u00e7as estruturais no cora\u00e7\u00e3o, como espessamento da musculatura card\u00edaca, altera\u00e7\u00f5es no relaxamento entre os batimentos e remodelamento card\u00edaco, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o as arritmias. Embora ainda n\u00e3o exista consenso de que o Parkinson aumente significativamente o risco de todas elas, alguns pacientes podem apresentar altera\u00e7\u00f5es detectadas no eletrocardiograma, como a redu\u00e7\u00e3o da variabilidade da frequ\u00eancia card\u00edaca, importante marcador de comprometimento do sistema nervoso aut\u00f4nomo. J\u00e1 medicamentos mais antigos, como pergolida e cabergolina, podem provocar altera\u00e7\u00f5es nas v\u00e1lvulas card\u00edacas, exigindo acompanhamento peri\u00f3dico com ecocardiogramas.<\/p>\n<p>A endocrinologista J\u00falia Reis destaca que o controle das doen\u00e7as metab\u00f3licas tamb\u00e9m exerce papel fundamental na evolu\u00e7\u00e3o do Parkinson. &#8220;Condi\u00e7\u00f5es como diabetes, obesidade e resist\u00eancia \u00e0 insulina favorecem processos inflamat\u00f3rios e de estresse oxidativo que podem agravar tanto as doen\u00e7as cardiovasculares quanto a progress\u00e3o de doen\u00e7as neurodegenerativas. Por isso, controlar os fatores metab\u00f3licos faz parte de uma abordagem integral do paciente&#8221;.<\/p>\n<p>A especialista acrescenta que a avalia\u00e7\u00e3o hormonal e metab\u00f3lica deve fazer parte do acompanhamento cl\u00ednico. &#8220;O tratamento n\u00e3o pode estar voltado apenas para os sintomas motores. O controle da glicemia, da fun\u00e7\u00e3o tireoidiana, do peso corporal e dos demais fatores de risco cardiovasculares contribui para preservar a sa\u00fade global e reduzir complica\u00e7\u00f5es ao longo da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>As descobertas mais recentes mostram ainda que o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o pode ajudar no diagn\u00f3stico precoce do Parkinson. Isso acontece porque o ac\u00famulo da prote\u00edna alfa-sinucle\u00edna, caracter\u00edstica da doen\u00e7a, n\u00e3o ocorre apenas no c\u00e9rebro, mas tamb\u00e9m nos nervos respons\u00e1veis pelo controle card\u00edaco. Em alguns casos, essas altera\u00e7\u00f5es surgem anos antes dos sintomas motores. Um dos exames capazes de identificar esse comprometimento \u00e9 a cintilografia card\u00edaca com MIBG, que avalia a integridade desses nervos e pode fornecer pistas importantes para o diagn\u00f3stico precoce.<\/p>\n<p>Para os especialistas, essas evid\u00eancias refor\u00e7am que o Parkinson deve ser encarado como uma doen\u00e7a sist\u00eamica. Sintomas como tonturas, palpita\u00e7\u00f5es, desmaios, quedas frequentes e intoler\u00e2ncia ao esfor\u00e7o f\u00edsico n\u00e3o devem ser ignorados e exigem uma avalia\u00e7\u00e3o integrada entre neurologistas, cardiologistas e endocrinologistas.<\/p>\n<p>&#8220;O reconhecimento precoce dessas altera\u00e7\u00f5es permite um tratamento mais adequado, reduz complica\u00e7\u00f5es e contribui para uma melhor qualidade de vida dos pacientes&#8221;, concluem os especialistas.<\/p>\n<p><strong>Sobre os m\u00e9dicos<\/strong><\/p>\n<p>Renata de Faria Modenesi \u00e9 cardiologista, mestre em Ci\u00eancias Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense (UFF), atua na rotina da Emerg\u00eancia do Hospital Niter\u00f3i D&#8217;Or e \u00e9 gestora da Linha de Cuidados da Unimed Leste Fluminense.<\/p>\n<p>Marco Orsini \u00e9 m\u00e9dico neurologista, p\u00f3s-doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Baylor University, al\u00e9m de coordenador do Ambulat\u00f3rio de Doen\u00e7as Neuromusculares Raras do Hospital Niter\u00f3i D&#8217;Or.<\/p>\n<p>J\u00falia Reis \u00e9 m\u00e9dica endocrinologista, com forma\u00e7\u00e3o em Endocrinologia pelo Instituto de Endocrinologia da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia do Rio de Janeiro, e atua na rotina m\u00e9dica da Emerg\u00eancia Adulto do Hospital Niter\u00f3i D&#8217;Or.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/us-central1-pulsebrand-plataforma.cloudfunctions.net\/trackPixel?c=4e23185f-e670-4362-b4e6-2d634310258d&amp;v=280110a2-de62-44a2-9c76-4228d787985e&amp;p=881a33ed-2087-45c5-80f1-767341edd15c\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"\" style=\"display:none\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doen\u00e7a de Parkinson e o cora\u00e7\u00e3o: uma liga\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m dos tremores.<\/p>\n","protected":false},"author":3647118390,"featured_media":5610,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-5611","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3647118390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5611\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}