{"id":5337,"date":"2026-06-19T17:35:49","date_gmt":"2026-06-19T20:35:49","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/06\/19\/a-corda-que-nao-segurou-por-que-tragedias-como-a-de-limeira-continuam-se-repetindo\/"},"modified":"2026-06-19T17:35:49","modified_gmt":"2026-06-19T20:35:49","slug":"a-corda-que-nao-segurou-por-que-tragedias-como-a-de-limeira-continuam-se-repetindo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/06\/19\/a-corda-que-nao-segurou-por-que-tragedias-como-a-de-limeira-continuam-se-repetindo\/","title":{"rendered":"A corda que n\u00e3o segurou: por que trag\u00e9dias como a de Limeira continuam se repetindo"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-style:italic;font-size:1.1em;margin-bottom:1em\">Engenheiro de risco analisa como processos de verifica\u00e7\u00e3o e cultura de seguran\u00e7a podem prevenir acidentes em atividades de aventura e opera\u00e7\u00f5es industriais<\/p>\n<p>A morte de uma jovem de 21 anos durante um salto de rope jump em Limeira reacendeu o debate sobre seguran\u00e7a em esportes de aventura. Para o engenheiro de risco Marcelo Ferreira, o problema raramente est\u00e1 no equipamento, mas na aus\u00eancia de uma cultura de verifica\u00e7\u00e3o que vale tanto para a ponte quanto para o ch\u00e3o de f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu em 13 de junho, em Limeira, no interior de S\u00e3o Paulo, ao praticar rope jump. A corda que deveria segur\u00e1-la n\u00e3o estava presa, e a jovem caiu de aproximadamente 40 metros. O caso ganhou repercuss\u00e3o nacional e voltou a colocar em discuss\u00e3o a seguran\u00e7a em atividades de aventura. Para Marcelo Henrique Ferreira, engenheiro de risco, conselheiro empresarial em intelig\u00eancia industrial e fundador da SETREIMAX, por\u00e9m, o ponto central da trag\u00e9dia est\u00e1 al\u00e9m do equipamento.<\/p>\n<p>&#8220;A corda n\u00e3o falhou, ela simplesmente n\u00e3o estava l\u00e1. O que falhou foi o sistema de pessoas que tinha tempo, fun\u00e7\u00e3o e procedimento para conferir a \u00fanica coisa que jamais poderia passar&#8221;, afirma o especialista.<\/p>\n<p>Segundo Ferreira, o acidente n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Em diferentes pa\u00edses, trag\u00e9dias semelhantes ocorreram por erros humanos e aus\u00eancia de redund\u00e2ncia nos sistemas de seguran\u00e7a. Entre os exemplos est\u00e3o a morte do americano Dan Osman, considerado um dos pioneiros do rope jump, um acidente na Espanha envolvendo uma turista brit\u00e2nica e outro na Col\u00f4mbia, em que uma jovem interpretou de forma equivocada o sinal dado ao saltador \u00e0 frente. No Brasil, um dos casos mais conhecidos ocorreu em Mairinque, em 2016, quando um praticante de bungee jump morreu ap\u00f3s falha no equipamento.<\/p>\n<p>Para o especialista, o elemento em comum entre essas ocorr\u00eancias \u00e9 a falta de verifica\u00e7\u00e3o independente. &#8220;Cada opera\u00e7\u00e3o que funciona mil vezes convence a equipe de que continuar\u00e1 funcionando. At\u00e9 o dia em que a corda n\u00e3o est\u00e1 presa e j\u00e1 \u00e9 tarde para a \u00fanica confer\u00eancia que importava&#8221;, explica.<\/p>\n<p> O engenheiro destaca que o mesmo mecanismo est\u00e1 presente em opera\u00e7\u00f5es industriais. Trabalhos em altura sem ancoragem adequada, espa\u00e7os confinados sem medi\u00e7\u00e3o de gases e atividades com inflam\u00e1veis realizadas sem as devidas checagens s\u00e3o exemplos de situa\u00e7\u00f5es em que a normaliza\u00e7\u00e3o do risco pode custar vidas.<\/p>\n<p>&#8220;No esporte de aventura e na ind\u00fastria pesada, o inimigo \u00e9 o mesmo: a normaliza\u00e7\u00e3o do risco. As normas regulamentadoras existem justamente para impedir que a seguran\u00e7a dependa da sorte ou da mem\u00f3ria de algu\u00e9m&#8221;, resume.<\/p>\n<p>Fundada em 2009, a SETREIMAX completa 17 anos em 2026. A trajet\u00f3ria de Marcelo Ferreira inclui dez anos como bombeiro industrial na BASF e mais de 27 anos de atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea. Ao longo da carreira, ele participou de mais de mil ocorr\u00eancias e treinou mais de 30 mil profissionais. A empresa j\u00e1 atendeu mais de 1.600 organiza\u00e7\u00f5es dos setores qu\u00edmico, petroqu\u00edmico, de energia e manufatura pesada. Neste ano, a companhia iniciou a expans\u00e3o da Rede SETREIMAX, modelo de licenciamento e franquias com o objetivo de alcan\u00e7ar os 27 estados brasileiros at\u00e9 2030, ampliando a atua\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o corporativa e consultoria aplicada a SSMA, ESG e NR-01.<\/p>\n<p>Para Ferreira, a cultura de seguran\u00e7a \u00e9 constru\u00edda nos detalhes. &#8220;Ela n\u00e3o nasce em cartazes ou em uma palestra por ano. Surge na dupla checagem, na pergunta que atrasa cinco minutos e que pode ser a diferen\u00e7a entre voltar para casa ou n\u00e3o voltar&#8221;, afirma. O especialista recomenda que, tanto em esportes de aventura quanto em opera\u00e7\u00f5es empresariais, exista uma pessoa respons\u00e1vel exclusivamente pela confer\u00eancia final, que haja sistemas redundantes e que qualquer integrante da equipe tenha autoridade para interromper a atividade ao identificar uma falha.<\/p>\n<p>&#8220;Se existe hesita\u00e7\u00e3o na resposta sobre a seguran\u00e7a, a resposta verdadeira j\u00e1 \u00e9 n\u00e3o&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Maria Eduarda n\u00e3o morreu porque o rope jump \u00e9 perigoso, e sim porque a verifica\u00e7\u00e3o que poderia evitar a trag\u00e9dia n\u00e3o foi realizada. Para Marcelo Ferreira, essa \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o que ultrapassa a ponte de Limeira e alcan\u00e7a qualquer ambiente em que uma vida depende de um sistema. Afinal, o risco n\u00e3o se elimina. O risco se gerencia. A pergunta que fica, em cada salto e em cada turno de trabalho, \u00e9 simples: quem \u00e9 a pessoa respons\u00e1vel por conferir a \u00fanica coisa que n\u00e3o pode falhar?<\/p>\n<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/us-central1-pulsebrand-plataforma.cloudfunctions.net\/trackPixel?c=017929f6-95b7-448b-9e74-751ac262da23&amp;v=8d762963-0f60-4a0d-a77e-b371ca4ad06e&amp;p=881a33ed-2087-45c5-80f1-767341edd15c\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\"\" style=\"display:none\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engenheiro de risco analisa como processos de verifica\u00e7\u00e3o e cultura de seguran\u00e7a podem prevenir acidentes em atividades de aventura e opera\u00e7\u00f5es industriais<\/p>\n","protected":false},"author":3647118390,"featured_media":5336,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-5337","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3647118390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5337\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}