{"id":4674,"date":"2026-03-10T09:22:47","date_gmt":"2026-03-10T12:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/?p=4674"},"modified":"2026-03-10T09:22:49","modified_gmt":"2026-03-10T12:22:49","slug":"outros-barbaros-chegam-ao-terceiro-disco-explorando-novas-sonoridades-e-um-olhar-critico-sobre-o-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2026\/03\/10\/outros-barbaros-chegam-ao-terceiro-disco-explorando-novas-sonoridades-e-um-olhar-critico-sobre-o-presente\/","title":{"rendered":"Outros B\u00e1rbaros chegam ao terceiro disco explorando novas sonoridades e um olhar cr\u00edtico sobre o presente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os&nbsp;<strong>Outros B\u00e1rbaros<\/strong>&nbsp;chegam ao terceiro \u00e1lbum com mudan\u00e7as importantes na forma\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na dire\u00e7\u00e3o sonora. Em&nbsp;<strong>\u201cPelas Ruas das Am\u00e9ricas\u201d<\/strong>, o grupo de Florian\u00f3polis assume o formato de trio, com Maur\u00edcio Peixoto (voz e guitarra), Eduardo Lehr (baixo) e Marco Mibach (bateria e percuss\u00e3o), e aprofunda a aproxima\u00e7\u00e3o com refer\u00eancias da m\u00fasica brasileira que j\u00e1 vinham surgindo no trabalho anterior,&nbsp;<strong>\u201cInterl\u00fadio na Beira do Caos\u201d<\/strong>&nbsp;(2022). O resultado \u00e9 um disco que amplia o leque est\u00e9tico da banda, dialogando com a tradi\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o brasileira enquanto mant\u00e9m a energia do rock e um discurso cr\u00edtico como fio condutor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com dez faixas, entre elas os singles&nbsp;<strong>\u201cFortaleza Hostil\u201d<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>\u201cN\u00f3s Dois\u201d<\/strong>, j\u00e1 divulgados nas plataformas, o \u00e1lbum apresenta composi\u00e7\u00f5es majoritariamente assinadas por Peixoto, al\u00e9m de parcerias e participa\u00e7\u00f5es especiais que enriquecem o repert\u00f3rio. A \u00fanica releitura do trabalho \u00e9&nbsp;<strong>\u201cAlucina\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, cl\u00e1ssico de&nbsp;Belchior, inclu\u00eddo como homenagem ao legado do artista. Gravado no B\u00e1rbaro Est\u00fadio, em Florian\u00f3polis, e finalizado pelo produtor Alexei Le\u00e3o em Portugal, o disco tamb\u00e9m re\u00fane colabora\u00e7\u00f5es como a do tecladista&nbsp;Donatinho&nbsp;e arranjos de metais de Hemerson Calandrini. O processo de cria\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o ainda foi registrado em um mini document\u00e1rio dirigido por&nbsp;Antonio Rossa, que acompanha os bastidores dessa nova fase da banda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como a forma\u00e7\u00e3o em trio transformou o som e o processo criativo do \u00e1lbum?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a de forma\u00e7\u00e3o ocorreu no meio do processo do \u00e1lbum. Nosso tecladista, Diego Stecanela, estava prestes a ser pai e n\u00e3o conseguia conciliar tudo. Todos da banda tem vidas super corridas, no sentido de estar em v\u00e1rios projetos e tal. Essa dificuldade de casar agendas fez com que o trabalho de constru\u00e7\u00e3o dessas m\u00fasicas fosse muito mais um processo individual de est\u00fadio do que propriamente a banda tocando junto. Basicamente, nos reunimos, definimos a estrutura da can\u00e7\u00e3o que eu havia levado pro ensaio e depois j\u00e1 come\u00e7amos a trabalhar individualmente nas sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o. Como eu produzo e gravo tudo aqui mesmo no meu est\u00fadio, conseguimos ter mais flexibilidade assim. A falta de um tecladista propriamente dito fez com que as teclas acabassem ocupando um outro papel, mais de cama, de ambienta\u00e7\u00e3o, diferente do papel protagonista que tinha antes. E isso tudo somado resultou nesse \u00e1lbum, que talvez seja o nosso trabalho com menos cara de &#8220;banda de rock&#8221; at\u00e9 agora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De que forma voc\u00eas equilibram a vibe MPB anos 70 com uma sonoridade atual e politizada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que essas coisas caminham juntas. Existe uma tradi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica brasileira de protesto, muito forte durante a ditadura militar. Nesse \u00e1lbum, as m\u00fasicas tinham na ess\u00eancia delas esse DNA Brasil 70. N\u00e3o foi algo premeditado, elas nasceram assim. Ao mesmo tempo, nossa banda surgiu na ascens\u00e3o do bolsonarismo e aquele ambiente pol\u00edtico nos levou a falar destes temas, que viraram uma nossa. Todos os nossos trabalhos t\u00eam isso. Ent\u00e3o, foi um casamento que, na nossa cabe\u00e7a, tinha tudo pra funcionar, essa vibe 70 mas com discurso atual. Sonoramente falando, foi uma busca nossa, junto com o Alexei Le\u00e3o, que mixou e masterizou o trabalho, esse lance de usar texturas, ambienta\u00e7\u00f5es mais vintage e ao mesmo tempo n\u00e3o perder punch, de ter som grande, de soar atual mas com a influ\u00eancia retr\u00f4 bem destacada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que motivou a escolha de \u201cAlucina\u00e7\u00e3o\u201d, de Belchior, e o que essa can\u00e7\u00e3o simboliza para a banda hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Belchior \u00e9 uma das v\u00e1rias unanimidades que temos na banda. De todo mundo achar bom pra caramba. Em 2024\/25, produzimos e levamos pra estrada um show que tocamos na \u00edntegra o disco Alucina\u00e7\u00e3o, misturado com nossas m\u00fasicas. Durante o processo do \u00e1lbum, ficamos com vontade de incluir alguma dessas m\u00fasicas. Como o Alucina\u00e7\u00e3o completa 50 anos em 2026, fez ainda mais sentido. E a escolha espec\u00edfica da m\u00fasica se deu porque n\u00e3o quer\u00edamos algo que j\u00e1 fosse muito &#8220;batido&#8221;, tipo Como Nossos Pais, que j\u00e1 teve v\u00e1rias vers\u00f5es, foi consagrada no voz da Elis e tal. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o quer\u00edamos algo que fosse totalmente lado B. A alucina\u00e7\u00e3o caiu como uma luva. Tem uma letra que \u00e9 muito forte, muito atual, que casa com o que a gente gostaria de dizer. Esses can\u00e7\u00f5es est\u00e3o fazendo 50 anos e parecem que foram escritas semana passada. O que o Bad Bunny fez no Super Bowl, o Belchior j\u00e1 tava dizendo em 76.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como as participa\u00e7\u00f5es especiais e o minidocument\u00e1rio impactaram o resultado final do disco?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adoramos esse lance de chamar gente pra participar, pra tocar junto no show, de fazer da m\u00fasica algo agregador. Dessa vez, ficamos pensando em chamar algu\u00e9m que n\u00e3o fosse da nossa cena. Quer\u00edamos uma participa\u00e7\u00e3o em Enfim Renascer\u00e1, pra dar uma cor diferente nela. Nosso baterista, o Marco Mibach, trabalhou com bastante gente no Rio de Janeiro, ele morou um bom tempo l\u00e1. A\u00ed, ele sugeriu o Donatinho, que j\u00e1 conhecia h\u00e1 algum tempo. Como o Donatinho tem esse lance da m\u00fasica brasileira e tamb\u00e9m \u00e9 um apaixonado por sintetizadores, achamos que ia super funcionar. Falamos com ele, ele topou e mandou bem demais. Um bom gosto enorme, os arranjos dele colocaram a m\u00fasica onde ela precisava, foi \u00f3timo! J\u00e1 o doc, era uma coisa que a gente queria fazer a bastante tempo, porque n\u00e3o t\u00ednhamos nada nesse sentido ainda. O diretor, Antonio Rossa, tamb\u00e9m \u00e9 compositor, grava comigo aqui no est\u00fadio. Conversei com ele e nos acertamos. Por quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, o que rolou fazer foi um minidoc mesmo. A vontade, claro, era fazer algo um pouco mais extenso, mas foi o que deu pra fazer. Ficou super bonito, acho que cumpre demais o papel de contar um pouquinho da nossa hist\u00f3ria, ficamos muito felizes com o resultado. No final, tudo isso enriquece a obra, n\u00e9? D\u00e1 mais contexto, mais corpo, acho que ajuda a dar cada vez mais veracidade a tudo o que fazemos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por que essas m\u00fasicas s\u00f3 fazem sentido para a banda neste momento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sonoramente, acredito que essas can\u00e7\u00f5es podem ser atemporais, j\u00e1 que fazemos um tipo de som baseado na can\u00e7\u00e3o, n\u00e3o em modismos est\u00e9ticos. J\u00e1 o discurso \u00e9 bastante atual, existem coisas ali que falam diretamente de acontecimentos de agora. De qualquer forma, pode ser que esse discurso continue fazendo sentido daqui a um tempo (esperamos, sinceramente, que n\u00e3o&#8230; hehehe). Algumas outras coisas s\u00e3o mais universais, como as letras de N\u00f3s Dois e Cheguei, Cad\u00ea Voc\u00ea?. De um modo geral, os temas retratam o jeito que a gente v\u00ea o mundo hoje, como um recorte da realidade. A quest\u00e3o pol\u00edtica, a quest\u00e3o das guerras. Inclusive o mundo anda t\u00e3o louco que um \u00e1lbum lan\u00e7ado faz ym m\u00eas j\u00e1 tem letra que est\u00e1 desatualizada, vide os \u00faltimos acontecimentos no Ir\u00e3. O primeiro single do \u00e1lbum, Fortaleza Hostil foi escolhido justamente por essa urg\u00eancia de discurso, era um assunto muito daquele momento, fazia total sentido lan\u00e7ar ela ainda no final de 2025.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Pelas Ruas das Am\u00e9ricas\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/2Rl5oR4X2M60Cj811IEC0R?si=LrFarDTBRmCI4GxGWLyx-Q&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os&nbsp;Outros B\u00e1rbaros&nbsp;chegam ao terceiro \u00e1lbum com mudan\u00e7as importantes na forma\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na dire\u00e7\u00e3o sonora. 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