{"id":3572,"date":"2024-11-27T14:27:21","date_gmt":"2024-11-27T17:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/?p=3572"},"modified":"2024-11-27T14:27:23","modified_gmt":"2024-11-27T17:27:23","slug":"romance-aquando-nem-o-inferno-transgride-a-linguagem-habitual-e-explora-uma-forma-singular-de-expressao-literaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitrinedafama.com.br\/index.php\/2024\/11\/27\/romance-aquando-nem-o-inferno-transgride-a-linguagem-habitual-e-explora-uma-forma-singular-de-expressao-literaria\/","title":{"rendered":"Romance Aquando nem o inferno transgride a linguagem habitual e explora uma forma singular de express\u00e3o liter\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>O autor Fernando Dusi Rocha lan\u00e7a, pela editora 7 Letras, o romance&nbsp;<em>Aquando nem o inferno<\/em>, uma obra que inova ao combinar a linguagem arcaica do cancioneiro galego-portugu\u00eas com uma narrativa contempor\u00e2nea e provocativa. O livro traz \u00e0 tona temas que questionam a sociedade atual, utilizando elementos lexicais desse vasto acervo trovadoresco medieval, uma das mais ricas tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, que floresceu entre os s\u00e9culos XII e XIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Na obra, Dusi revisita as cantigas de esc\u00e1rnio e maldizer, um dos g\u00eaneros do cancioneiro, ao mesmo tempo que transgride as normas da gram\u00e1tica culta brasileira, utilizando constru\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas pouco usuais, algumas das quais mais pr\u00f3ximas do portugu\u00eas europeu, como a coloca\u00e7\u00e3o pronominal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa, menos complexa que seu romance anterior,&nbsp;<em>Eu, Jeremias<\/em>, estabelece uma ponte entre o passado liter\u00e1rio e lingu\u00edstico e o presente, expondo a desintegra\u00e7\u00e3o crescente dos valores \u00e9ticos, agravada na contemporaneidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMinha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 afastar do p\u00fablico leitor a ideia de que meu processo de escrita, pautado numa linguagem e l\u00e9xico t\u00e3o inusuais, seria incompat\u00edvel com a contemporaneidade, por soar anacr\u00f4nico e descabido \u00e0 formata\u00e7\u00e3o habitual dos romances em voga\u201d, explica o autor. \u201cO tom de novidade que pretendo dar ao meu romance reside em reavivar a chave medieval e fecunda de nossa l\u00edngua, buscando mostrar como um l\u00e9xico usado h\u00e1 quase oitocentos anos ainda pode interagir com o leitor atual.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria se passa na fict\u00edcia cidade de Santa Vaia, no interior de Minas Gerais, onde um botic\u00e1rio e maestro de uma banda local vive com suas tr\u00eas filhas: Celestina, Melibea e Are\u00fasa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A trama central gira em torno de um incidente desastroso envolvendo Celestina durante a prociss\u00e3o da Sexta-Feira da Paix\u00e3o. A partir desse epis\u00f3dio, uma s\u00e9rie de acontecimentos negativos passa a afetar sua vida e de suas irm\u00e3s, desencadeando diversos conflitos e reviravoltas. Paralelamente, o processo de beatifica\u00e7\u00e3o da Devota Hebreia, uma figura de suposta origem criptojudaica, gera como\u00e7\u00e3o e ceticismo na cidade, intensificando os dilemas religiosos e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor usa o ambiente familiar e religioso para refletir sobre quest\u00f5es profundas, como a preval\u00eancia da apar\u00eancia sobre a ess\u00eancia (das coisas e da psique) e a superficialidade da f\u00e9 institucionalizada. Ao longo da narrativa, o botic\u00e1rio procura, por meio de suas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas e moralistas, inspiradas na doutrina do jesu\u00edta espanhol Baltasar Graci\u00e1n, moldar o destino de suas filhas, especialmente da primog\u00eanita, que busca aventuras fora do casamento e desafia a moral reinante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA domin\u00e2ncia da apar\u00eancia das coisas e pessoas nos anos 1950 e 1960, \u00e9poca em que transcorre a narrativa, chega a ser desprez\u00edvel se comparada com os acontecimentos que vivenciamos agora, sobretudo diante do poderio das redes sociais sobre as pessoas, que nelas encontram lugar ideal para a dissimula\u00e7\u00e3o e o disfarce\u201d, reflete Dusi. \u201cAl\u00e9m disso, a hipocrisia da sociedade vigente na \u00e9poca do romance ganhou uma grandeza ostentosa nos dias de hoje. O falso moralismo filtrado no romance mostra-se agravado em progress\u00e3o geom\u00e9trica pelas engrenagens do conservadorismo em nossa sociedade contempor\u00e2nea\u201d, finaliza o autor.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Aquando nem o inferno<\/em>&nbsp;\u00e9 uma obra que funde tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, oferecendo ao leitor uma trama envolvente e reflexiva, que critica as hipocrisias de uma sociedade conservadora enquanto celebra a riqueza lingu\u00edstica e cultural de uma das mais valiosas tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias do mundo ocidental. A obra j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nas principais plataformas digitais de vendas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o autor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Dusi Rocha \u00e9 poeta e escritor. Mineiro de Ub\u00e1, reside em Bras\u00edlia desde 1984. \u00c9 p\u00f3s-doutor em Literatura pela Universidade de Bras\u00edlia. Pela 7Letras, publicou os livros de poesia&nbsp;<em>O ex\u00edlio de Polifemo<\/em>&nbsp;(2006), finalista do Pr\u00eamio Jabuti em 2007,&nbsp;<em>Crisol com a\u00e7\u00facar<\/em>&nbsp;(2008) e&nbsp;<em>O brevi\u00e1rio&nbsp;<\/em>(2016), a reflex\u00e3o autobiogr\u00e1fica&nbsp;<em>Tua carne ver\u00e1 a&nbsp;<\/em>luz (2014) e&nbsp;<em>Eu, Jeremias<\/em>&nbsp;(2020). Em 2009 teve publicado, ainda, seu poem\u00e1rio&nbsp;<em>Li\u00e7\u00f5es de taxidermia<\/em>&nbsp;pela Ateli\u00ea Editorial; e, em 2010, o livro ensa\u00edstico&nbsp;<em>O problema da verdade: literatura e direito<\/em>, pela Fino Tra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aquando nem o inferno<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Autor: Fernando Dusi Rocha<br>Editora: 7 Letras<br>Pre\u00e7o: R$ 67,00<br>P\u00e1ginas: 150<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O autor Fernando Dusi Rocha lan\u00e7a, pela editora 7 Letras, o romance&nbsp;Aquando nem o inferno, uma obra que inova ao combinar a linguagem arcaica do cancioneiro galego-portugu\u00eas com uma narrativa contempor\u00e2nea e provocativa. 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