Katherine Bebber projeta novo perfil do viajante brasileiro para 2027

Executiva da KB Excellence Travel aponta personalização, tecnologia e novas experiências entre os movimentos que devem redefinir o turismo no próximo ano

Executiva da KB Excellence Travel aponta personalização, tecnologia e novas experiências entre os movimentos que devem redefinir o turismo no próximo ano

A indústria de viagens e turismo chega à reta final de 2026 em um dos momentos mais robustos de sua história. Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), o setor deve movimentar cerca de US$ 12 trilhões na economia mundial neste ano, o equivalente a 9,9% do PIB global, além de sustentar aproximadamente 376 milhões de empregos.

No Brasil, o cenário também é de expansão. Em 2025, o país recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, alta de 37,1% em relação ao ano anterior, enquanto as receitas geradas por visitantes estrangeiros chegaram a aproximadamente US$ 7,9 bilhões.

Mais do que o crescimento dos números, porém, o próprio perfil de quem viaja está mudando. Mais informado, conectado e criterioso, o turista brasileiro passa a buscar experiências cada vez mais alinhadas aos próprios interesses.

Na avaliação de Katherine Bebber, Proprietária da KB Excellence Travel, essa transformação deve ganhar ainda mais força em 2027. “O viajante vai chegar muito mais informado, porque vai ter acesso a redes sociais, inteligência artificial, vídeos e muitas opções de destinos. Mas, ao mesmo tempo, ele vai ficar mais exigente. Não vai querer simplesmente comprar uma passagem e um hotel”.

Para Katherine, o mercado deve avançar para uma lógica de maior curadoria. “O profissional de turismo não vai estar ali apenas para vender um pacote, mas para entender o perfil do cliente e transformar todas aquelas informações em uma viagem que realmente faça sentido para ele”, diz.

A personalização deixou de estar associada apenas ao turismo de luxo e passou a envolver decisões como horário dos voos, escolha do hotel, localização, gastronomia, passeios e experiências.

“O pacote turístico não está perdendo espaço, ele está sendo reinventado. O preço continua sendo importante, claro, mas hoje o viajante também quer entender o que está comprando e ter uma viagem que realmente combine com o que ele espera”, afirma Katherine.

Esse comportamento também estimula o planejamento antecipado. A empresária afirma perceber clientes organizando viagens nacionais e internacionais com meses de antecedência para buscar melhores condições, disponibilidade e maior tranquilidade financeira.

Mesmo com fatores como câmbio, inflação e preços de passagens, a leitura para 2027 permanece positiva. “Existe uma disposição muito grande das famílias para continuar viajando e, principalmente, para se planejar com antecedência”, afirma.

A viagem também começa a ocupar outro espaço no planejamento das famílias. “Hoje eu percebo que o brasileiro está enxergando a viagem muito mais como uma experiência e como parte do seu estilo de vida, e não simplesmente como um gasto. Viajar traz cultura, momentos em família, conhecimento e memórias”, diz Katherine.

A busca por experiências diferentes também começa a alterar o mapa dos destinos desejados pelos brasileiros. Embora Estados Unidos e Europa continuem relevantes, novas regiões ganham atenção. Entre as apostas de Katherine para 2027 está a Ásia.

“Eu acredito que a Ásia vai ser uma das grandes apostas de 2027, principalmente destinos como Tailândia, Japão e até Vietnã. Eles sempre existiram, mas hoje estão entrando muito mais no radar dos brasileiros”.

Na Europa, cidades menores e regiões como as Dolomitas também podem se beneficiar da procura por roteiros menos tradicionais. África, Oriente Médio e América Latina aparecem igualmente nesse movimento de diversificação, impulsionados por experiências culturais, natureza, gastronomia e custo-benefício.

No Brasil, Katherine destaca Bonito, em Mato Grosso do Sul, e Caldas Novas, em Goiás, entre os destinos que podem ampliar sua presença no radar dos turistas. “Acho que existe muito Brasil para ser descoberto ainda. Temos destinos incríveis que muitas vezes acabam ficando em segundo plano porque o brasileiro acaba indo sempre para os mesmos lugares”, afirma.

A inteligência artificial e as redes sociais também passaram a influenciar diretamente a descoberta de destinos e o planejamento. Hoje, antes mesmo de comprar uma passagem, o consumidor consegue pesquisar hotéis, restaurantes, atrações e experiências praticamente em tempo real.

“A pessoa consegue conhecer um destino praticamente antes de decidir viajar para ele. Ela vê vídeos, conhece hotéis, restaurantes, passeios e acompanha a experiência de outras pessoas”, explica Katherine.

Ao mesmo tempo, o excesso de alternativas cria uma nova dificuldade: separar boas oportunidades de escolhas ruins. Para a empresária, esse cenário tende a fortalecer a função de curadoria dentro do mercado.

“A tecnologia não tira o espaço das agências. Pelo contrário, quanto mais informação e opções o consumidor tem, mais ele precisa de alguém que saiba filtrar tudo isso e transformar essa informação em uma viagem segura e bem planejada”.

A transformação acontece em um mercado que continua atraindo grandes volumes de capital. Os investimentos globais em viagens e turismo superaram US$ 1 trilhão em 2025, segundo o WTTC, reforçando a dimensão econômica de um setor que segue em expansão.

Para Katherine, porém, a principal mudança de 2027 deverá aparecer principalmente no comportamento do consumidor. “Se eu tivesse que olhar para 2027 e escolher um movimento que realmente transformou o mercado, acredito que seria esse: o viajante passou a buscar menos uma viagem pronta e mais uma experiência feita para ele”, conclui a empresária da KB Excellence Travel.

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